terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não me deixam ir à escola...

Olá. Sabem... vou aqui fazer uma pequena interrupção no desenrolar da minha história para falar da realidade do momento presente. Que também é alucinante, como todos os outros. Sabem que a minha mãe pediu a demissão no seu trabalho, e desistiu da sua carreira, para poder tomar conta de mim numa fase em que eu estava muito mal?? Pois foi. Foi isso que ela fez, já lá vão mais de 4 anos. As pessoas fartaram-se de a criticar... Depois as minhas crises e afins entraram noutro ritmo mais calmo e quando a minha mãe quis voltar a trabalhar... nunca mais conseguiu! Até ao mês passado. Começou a trabalhar na hamburgueria gourmet Bolo do Caco, em Oeiras. E sabem que mais? Desde esse dia que a mamã passou a trabalhar 12 horas, e como não me podia ir buscar à escola meteu a papelada toda para pedir uma carrinha que me transporte da escola para a minha casa. Parece uma coisa tão simples... mas não julguem que é! Passaram-se os dias, entrámos em Outubro, e eu continuo sem ir à escola para a minha mãe poder trabalhar. Fico na casa da minha avó. Entretanto esperamos pelo desenrolar das papeladas na escola, e eis senão quando a mãe chega à escola na segunda-feira munida de atestado médico e prova de morada da Junta de Freguesia, e dizem-lhe assim: isto não serve. o atestado tem que ser passado por uma Junta Médica. Tem que pedir uma Junta Médica. Então mas eu não posso ir à escola porquê? A minha turma é o 5º B e tenho imensas professoras. Não posso ir à escola porquê? E agora não posso ficar mais na casa da avó... acho que não sou uma menina de trato muito fácil, penso mesmo que só a minha mãe sabe lidar comigo, com as minhas crises, com a minha maneira de falar muito alto, os meus choros e birras, enfim, a avó não aguenta nem tem saúde para tomar conta. E agora? Vou eu à escola ou é a mãe que não vai poder continuar a trabalhar? Não percebo... Alice

4 comentários:

  1. Sabes, Alice, este não é o País das Maravilhas. Infelizmente, este é o País onde a justiça básica da condição humana está à mercê da injustiça interesseira da condição política. Não percebes, Alice, na tua ingenuidade de criança... e nós também não percebemos, na nossa alegada maturidade adulta. Sobram os pequenos gestos, como este beijo que aqui te deixo...

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  2. Alice,
    Conheço a tua mãe há tantos anos, trabalhei com ele vários anos. Sei de todo o seu esforço e dou-lhe muito valor por isso. Se nós não compreendemos as dificuldades que nos impõem, imagino tu. Sei que o teu feitio não é fácil mas temos de saber lidar com ele, porque é assim. Diz à tua mãe que a ajudarei no que for preciso. Quanto a levar-te à escola, é mais difícil para mim mas posso tentar saber quem o poderá fazer. Diz à tua mãe que me telefone...talvez possa ajudar.

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  3. Não vou fazer os comentários que este assunto, neste momento merece... Estou deveras irritada, furiosa e capaz de ir ao fim do mundo para resolver estes assuntos Há tanta gente, infelizmente, com problemas muito graves, de doença, de falta de comer, falta de amor e carinho, uma cama limpa para dormir, uma mão certa na chaga que doi e os nossos governantes, políticos, sindicatos, patronato enfim uma parte dos Portugueses que sempre fomos solidários com tudo e todos, nem sabem da missa a metade. Pais sem emprego, filhos altamente doentes sem saberem de que doença se trata, avós idosos com pensões curtas,curtas que bem espremidas dão umas gotas de ajuda (curta, muito curta). Que diabo de assistencia social este País dá? Que espera que lhes seja dado quando a sua hora chegar....Olhem para o País que temos e ajudem, ajudem, mas do verbo AJUDAR. Nunca virei a cara aos problemas e embora sem grandes forças estou na 1ª fila para lutar o que for preciso para ajudar a Alice (ou outros/as) a vencer esta doença e ter a qualidade de vida que tem DIREITO. Eu sou a Mº Ivone avó da Alicinha pelo menos não deixem de ler obrigada

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